
Todos nós já experimentámos o amargo sabor da indiferença, aquele sabor que nos corrói o interior levando-nos por vezes a sentir-nos tão pequenos como aquele ponto de luz da estrela mais distante. Nesse momento ficamos naquele estado de insignificância e por breves momentos não sabemos em que pensar. A mente fica tão ofusca e incapaz de raciocinar perante tal incidência.
Penso que a maioria do ser humano não tem a capacidade de lidar com a indiferença mostrando que é um ponto fraco ainda não suplantado e por mim nunca o será. Não há coisa pior que nos olhem e nos façam de insignificantes.
Mas neste ponto eu divido em vários níveis falando só de uns, não sendo nenhum bom mas uns menos preocupantes.
Quantos de nós já não nos sentimos à parte numa mesa com colegas de trabalho, onde os olhos são postos exclusivamente nos chefes, que vão soltando por vezes umas piadas em nada próprias do real valor da palavra piada, mas por razões demais conhecidas lá se vão soltando as estridentes gargalhadas. Ora, neste caso, não me revejo aqui como um indiferente mas pelo contrário, como um observador que vê o que há mais para ai...graxa pós sapatos dos chefes. Já a mesma situação dentro do próprio emprego se torna mais complicado, quando temos um colega que nos prejudica com a sua indiferença e mesmo a de um chefe que não nos dá o devido valor.
Também há, a gerada pela sociedade aos mais desfavorecidos e essa ai mais preocupante, pois essa classe cada vez mais se sente reprimida levando a que se sintam mais distantes e se escondam no seu pequeno mundo, perdendo atitude a cada ano que passa. Aqui, assistimos todos impávido e serenos porque não nos é dirigido directamente mas sim um mal global e também nos passa um pouco ao lado.
Mas a mais preocupante vem de quem nos é mais chegado.
Quando nos dedicamos a 100% a manter uma família unida e por vezes somos atingidos por esse sentimento que nos petrifica as ideias e nos faz recolher ao mais profundo buraco negro da nossa mente. Quantas vezes não somos reconhecidos ou não reconhecemos a pessoa que está ali ao nosso lado, não lhe dando o valor que tem na nossa vida, não a incentivando pelo seu bem querer a nós próprios e pelo contrário só lhe damos em troca o silêncio das nossas vozes.
É duro não ser reconhecido pelo filho que criámos durante anos, que o adoramos até ao fim dos nossos dias e ainda mais duro se o perdemos durante os nossos dias. Mas o pai que olha para um filho e que lhe é indiferente, não pode ser considerado de pai, mas sim a simples pessoa que concebeu a criança, comparando-a depois a um bebé de inseminação artificial onde não sabe quem é o pai.
Acho que o ser humano foi concebido para fazer o bem mas nasceu com uma arma que a utiliza muitas vezes que é mesmo a indiferença. Com ela magoamos pessoas, rejeitamos essas mesmas pessoas, passamos ao lado de coisas importantes. E porque reagimos quando nos acontece isso a nós?
Por vezes somos Indiferentes a nós próprios e quando isso acontece rejeitamos o nosso próprio ser e abandonamos os nossos ideais.
Sem comentários:
Enviar um comentário