Já alguém
pensou o quanto é importante o poder da graxa? O poder do brilho no sapato, o
poder do reflexo dos raios de sol a bater nele? Mas esse trabalho tem um nome a
que todos damos de “dar graxa”, que é feito por um “engraxador”. Ora bem; vou
falar um pouco disso.
Aprendi na
tropa até ao ponto de enjoar a dar “lustro” nas botas da tropa. Prefiro dizer
dar “lustro” do que graxa, por achar a duplicidade do sentido da palavra, muito
parecido ao que vou escrever. Dizia eu, que enjoei de tantas vezes puxar o dito
lustro às botas, por ser obrigado e por ser de praxe. Um bom soldado não se
quer com a botinha suja mas sim, sempre bem apresentado! Por isso, todos os
dias o soldado Cadeiras lá passava a escova pelas botas, mesmo sabendo que
minutos depois se iam encher de lama. E foi assim durante a estadia de
vassalagem aos meus superiores. Um poder que era exercido por mim mas obrigado
por eles. E na nossa vida?
Aqui já vou
rebuscar a outra duplicidade da palavra, o sentido de dar “graxa”, o poder de rebaixarmo-nos
mas cheios de “lustro”, tipo um palhaço que usa tanta pintura, mas ao mesmo
tempo faz-nos rir. Chamo a isto; um poder dissimulado, um poder que continua a
ser exercido por nós mas não obrigado! Neste caso a vassalagem até nem nos é
imposta por terceiros mas sim por nós próprios. E o que será que sente o “engraxador”
neste caso? Será que gosta, que se revê em todo o papel? Será que se identifica
com tudo o que faz para agradar a terceiros? Será que o seu interior, a sua
mente não entra em conflito com o coração? Talvez sim, talvez não, porque o
principal papel do engraxador é atingir os seus objectivos! Não importa como, e
não importa quem se atravesse no caminho. Em ambos os casos, a “graxa” tem de brilhar!
E como não
me identifico com esse tipo, dito “trabalho” de “engraxador, desde aqui digo,
que o problema de dar “graxa” na nossa vida também tem um limite, não pela “graxa”
se acabar mas porque o próprio “engraxado” chegar a um ponto de cansaço. E era
importante acabar com isso, porque já que o “engraxador” tem tanta “graxa”,
pelo menos o “engraxado” deveria por um fim nisso!
Uma coisa,
eu digo! Se na minha vida precisasse de engraxar tanto como engraxei as botas
na tropa, antes queria andar descalço!
(Foto Google
Imagens)

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