quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O Poder de dar..."graxa" na nossa vida!


Já alguém pensou o quanto é importante o poder da graxa? O poder do brilho no sapato, o poder do reflexo dos raios de sol a bater nele? Mas esse trabalho tem um nome a que todos damos de “dar graxa”, que é feito por um “engraxador”. Ora bem; vou falar um pouco disso.

Aprendi na tropa até ao ponto de enjoar a dar “lustro” nas botas da tropa. Prefiro dizer dar “lustro” do que graxa, por achar a duplicidade do sentido da palavra, muito parecido ao que vou escrever. Dizia eu, que enjoei de tantas vezes puxar o dito lustro às botas, por ser obrigado e por ser de praxe. Um bom soldado não se quer com a botinha suja mas sim, sempre bem apresentado! Por isso, todos os dias o soldado Cadeiras lá passava a escova pelas botas, mesmo sabendo que minutos depois se iam encher de lama. E foi assim durante a estadia de vassalagem aos meus superiores. Um poder que era exercido por mim mas obrigado por eles. E na nossa vida?

Aqui já vou rebuscar a outra duplicidade da palavra, o sentido de dar “graxa”, o poder de rebaixarmo-nos mas cheios de “lustro”, tipo um palhaço que usa tanta pintura, mas ao mesmo tempo faz-nos rir. Chamo a isto; um poder dissimulado, um poder que continua a ser exercido por nós mas não obrigado! Neste caso a vassalagem até nem nos é imposta por terceiros mas sim por nós próprios. E o que será que sente o “engraxador” neste caso? Será que gosta, que se revê em todo o papel? Será que se identifica com tudo o que faz para agradar a terceiros? Será que o seu interior, a sua mente não entra em conflito com o coração? Talvez sim, talvez não, porque o principal papel do engraxador é atingir os seus objectivos! Não importa como, e não importa quem se atravesse no caminho. Em ambos os casos, a “graxa” tem de brilhar!

E como não me identifico com esse tipo, dito “trabalho” de “engraxador, desde aqui digo, que o problema de dar “graxa” na nossa vida também tem um limite, não pela “graxa” se acabar mas porque o próprio “engraxado” chegar a um ponto de cansaço. E era importante acabar com isso, porque já que o “engraxador” tem tanta “graxa”, pelo menos o “engraxado” deveria por um fim nisso!

Uma coisa, eu digo! Se na minha vida precisasse de engraxar tanto como engraxei as botas na tropa, antes queria andar descalço!

(Foto Google Imagens)

Paulo Cadeiras 03-11-2011.

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