quinta-feira, 25 de novembro de 2010

No Fundo do Oceano!


Caiu…embateu na água!

A água estava fria! Não! Conotar de frio é pouco; gelou logo que embateu na superfície daquele Oceano. Deixou rapidamente lá em cima quem a usou por muitos anos. Por sua vez também era a pessoa que a guardou; a última pessoa que a tinha recebido ao longo de duas gerações. Lá em cima, ficou o barco, o dedo que lhe fez de montra estes últimos tempos e uma enorme desilusão e tristeza, da dona da montra.

A cada metro que descia a claridade era menor, a cada metro que descia, lá em cima, porventura a mesma claridade do dia se tornava agora sombria dentro daquele coração. Não havia nada a fazer se não Cair do lado de baixo da superfície e conformismo do lado superior da mesma, porque a distância entre os dois espaços ia-se alargando a cada segundo que passava.

Enquanto descia, encontrou um Mundo completamente diferente do que esteve habituada a ver. Até ali, aquela Jóia apelidada de Anel, ou estava exposta num dedo e frequentava festas brilhantes e luxuosas, o mesmo brilho e luxo que emitiam os seus diamantes de vários quilates, ou então dentro do baú, junto de tantas outras Jóias, sendo ela a dita Especial, a que acompanhou a família. Mas o brilho dela, naquelas águas agora geladas e escuras não era o mesmo.

Enquanto o seu movimento não foi quedado, embateu em rochas, nos seres vivos que habitavam aquelas águas, seres que um dia alguém os nomeou, mas que todos lhe chamam simplesmente de peixes. Se bem que diferente, aquele espaço tinha o seu brilho próprio. Ali, não havia inveja, arrogância, altivez, má educação, ao contrário do que existia lá em cima. O silêncio era total. Chegou por fim, ao fim da viagem. Caindo finalmente, de uma queda prolongada, de um final de mais uma fase e o começo de uma nova. Agora, aconchegada na areia, ela não sabia porquê mas sentia-se em casa tal e qual como no baú, embora não tivesse nenhuma jóia por perto. Ela hoje; era mais uma jóia de um enorme baú, ela pertencia agora ao Baú mais rico; O Fundo do Oceano…e aí se perpetuou!

Não importa o quanto possas brilhar num lado ou noutro porque afinal, és apenas uma jóia como tantas outras.

Eu também tenho o meu Oceano onde guardo as minhas jóias familiares, onde elas se vão perpetuar para um sempre…Minhas!

Por Paulo Cadeiras 25-11-2010.

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